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18/7/2017 | Notícias

FIESP: Não é hora de alterar a taxa de juros do BNDES


 

Entre abril e maio de 2017, o Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec/FIESP) realizou uma pesquisa com empresas industriais para avaliar o impacto da mudança na taxa de juros dos financiamentos do BNDES (TJLP) sobre o investimento.

A investigação foi realizada com 403 empresas que solicitaram (com ou sem sucesso) financiamentos do BNDES nos últimos 2 anos, de um total de 1036 empresas entrevistadas.

As empresas foram questionadas para o caso de haver uma mudança na TJLP que elevasse a taxa de 7,5% a.a. (nível vigente na época) para 10% a.a. (nível estimado na época para a nova taxa de juros do BNDES, atrelada a NTN-B).

É importante ressaltar que a TJLP ainda era de 7,5% a.a. quando a Pesquisa foi elaborada. Posteriormente foi reduzida para 7,0% a.a. Além disso, ainda não havia sido publicada a MP 777 oficializando a intenção de mudança da TJLP para TLP (equiparada a NTN-B) e definindo o prazo de transição da TJLP para TLP em cinco anos.

A pesquisa mostra que 66% das empresas entrevistadas reduziriam o investimento previsto para os próximos dois anos diante do aumento da taxa de juros do BNDES. Para 37% dessas empresas, a redução do investimento superaria 40%.

A pesquisa também revela que a reação de reduzir os investimentos previstos com a alteração da taxa de juros do BNDES não se concentra em apenas um porte, 65% das pequenas e médias empresas e 70% das grandes reagiriam reduzindo o investimento. Mais de um terço das empresas de todos os portes reduziriam os investimentos em mais de 40% se a TJLP fosse alterada.

Além de elevar a taxa de juros do crédito do BNDES, a mudança da TJLP para TLP introduziria maior volatilidade nas taxas de juros, aumentaria a incerteza das decisões de investimento e desestabilizaria imediatamente o ambiente em momento crítico em que a disposição do empresário a investir já está muito baixa. A taxa de investimento da economia tem despencado, está no nível mais baixo em 20 anos, entre as mais baixas do mundo e há dificuldades para recuperação econômica.

Nesse contexto, a discussão sobre a mudança na taxa de juros dos financiamentos do BNDES vem em momento inadequado.

Como o país tem a maior taxa de juros real do mundo e carece de alternativas viáveis de financiamento de longo prazo, o crédito do BNDES é de grande importância ao investimento. Juros do BNDES e SELIC precisam convergir, mas é a SELIC que necessita ser reduzida aos níveis das taxas internacionais, e não os juros do BNDES que devem aumentar.

Acesse aqui para abrir o estudo “Impactos da substituição da TJLP pela TLP sobre o Investimento”.

Acesse aqui para abrir a reportagem publicada no jornal Valor Econômico em 14/07/2017.

?Saudações,


José Ricardo Roriz Coelho
Vice-Presidente da FIESP
Diretor Titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da FIESP

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Fonte: FIESP